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Projeto no Senado amplia proteção a crianças vítimas de violência doméstica no exterior

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27/05/2026 15:05h

Projeto no Senado amplia proteção a crianças vítimas de violência doméstica no exterior

Proposta relatada por Mara Gabrilli impede retorno obrigatório de menores a países onde sofreram abusos

A Mara Gabrilli (PSD-SP) defendeu no Senado Federal um projeto que amplia a proteção de crianças e adolescentes brasileiros vítimas de violência doméstica no exterior. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e agora segue para análise no plenário da Casa.

O Projeto de Lei 565/2022 altera a aplicação, no Brasil, da Convenção sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças, ligada à Convenção de Haia. O texto prevê que autoridades brasileiras não sejam obrigadas a determinar o retorno de crianças ao país estrangeiro de residência quando houver indícios de violência doméstica, abuso ou risco físico e psicológico.

Violência doméstica passa a ser considerada “grave risco”

Segundo a proposta, situações de violência doméstica poderão ser reconhecidas oficialmente como condição de “grave risco físico ou psíquico” para crianças e adolescentes. O texto lista elementos que podem comprovar esse cenário, como denúncias feitas no exterior, medidas protetivas, laudos médicos e psicológicos, depoimentos e registros de assistência social.

A proposta também prevê assistência jurídica e orientação às famílias brasileiras envolvidas nos casos, além da possibilidade de concessão de guarda provisória durante a análise judicial.

Projeto busca evitar separação entre mães e filhos

Durante a tramitação, Mara Gabrilli destacou que muitas mães brasileiras residentes fora do país acabam retornando ao Brasil com os filhos após sofrerem violência doméstica e, posteriormente, passam a ser acusadas de sequestro internacional pelos próprios agressores.

A senadora afirmou que a proposta busca impedir que normas internacionais sejam utilizadas de forma abusiva para separar mães e filhos ou agravar situações de violência familiar.

Texto também prevê proteção para crianças com deficiência

O substitutivo apresentado pela parlamentar estabelece ainda regras específicas para crianças e adolescentes com deficiência. Nesses casos, a ausência de tratamento médico adequado ou de serviços de reabilitação no país estrangeiro poderá ser considerada fator de grave risco.

A proposta também considera a separação do cuidador principal como situação que pode justificar a permanência da criança no Brasil.

Projeto poderá receber nome de “Lei Eliana März”

O texto aprovado prevê que a futura legislação receba o nome de “Lei Eliana März”, em homenagem à professora e ativista brasileira associada a um caso de violência doméstica e disputa internacional envolvendo guarda de crianças.