Senadora do PSD afirma que exclusão de PCDs em ação institucional contraria debate sobre diversidade política e inclusão nos espaços de poder
A senadora Mara Gabrilli encaminhou um ofício ao Tribunal Superior Eleitoral solicitando esclarecimentos sobre a ausência de pessoas com deficiência na “Campanha Representatividade”, lançada pela Corte no início de maio. A iniciativa busca incentivar a participação política de grupos historicamente sub-representados na política brasileira, como mulheres, indígenas e pessoas negras.
A campanha do TSE tem como objetivo evidenciar a diferença entre a composição da população brasileira e o perfil predominante dos ocupantes de cargos públicos eletivos. No entanto, a exclusão das pessoas com deficiência da ação motivou questionamentos da parlamentar paulista.
Para Mara Gabrilli, a ausência de representantes PCDs em uma campanha voltada à diversidade política ignora um segmento que enfrenta barreiras estruturais permanentes na sociedade e também no ambiente político institucional.
“A pessoa com deficiência tem obstáculos estruturais a vencer. Eu posso falar sobre isso com muita propriedade, porque eu sei das barreiras enfrentadas por uma mulher tetraplégica na política. Eu sei o que é enfrentar obstáculos todos os dias, mesmo que seja dentro da cabeça de uma pessoa. E também sei que existe muita gente com deficiência cheia de potencial para transformar, para fazer política, para transformar a realidade, mas a barreira ainda é enorme”, declarou a senadora.
A campanha institucional do TSE permanecerá em circulação até o dia 30 de julho e inclui conteúdos para televisão, rádio e redes sociais, com foco na ampliação da participação política de grupos minoritários no Brasil.
Apesar das críticas à ausência de pessoas com deficiência na atual campanha, Mara Gabrilli reconheceu iniciativas anteriores da Justiça Eleitoral relacionadas à acessibilidade. Em 2025, o tribunal promoveu ações voltadas à inclusão de eleitores PCDs durante o processo eleitoral brasileiro.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos de idade ou mais, segundo o Censo Demográfico de 2022.
O debate reacende discussões sobre inclusão, acessibilidade e representatividade política, temas que vêm ganhando espaço no cenário institucional e eleitoral brasileiro, incluindo pautas relacionadas à participação democrática e diversidade no poder público.